Protestos contra custo de vida na França terminam em confrontos


Manifestações mobilizaram estudantes, sindicatos e integrantes dos Coletes Amarelos; mais de 1,3 mil pessoas foram presas e 53 policiais ficaram feridos, segundo as autoridades.

Protestos contra o alto custo de vida, a inflação e a precariedade dos serviços públicos reuniram 320 mil pessoas neste sábado (31) em diversas cidades da França e terminaram em confrontos com a polícia. Segundo o Ministério do Interior francês, 70 mil manifestantes participaram dos atos em Paris. Ao todo, mais de 1,3 mil pessoas foram presas e 53 policiais ficaram feridos.

As manifestações começaram de forma majoritariamente pacífica, mas as forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar grupos de manifestantes em cidades como Paris, Lyon e Toulouse. Em Marselha, barricadas foram incendiadas, enquanto uma loja teve a fachada depredada em Bordeaux. As autoridades afirmaram que conseguiram evitar saques e incêndios de maior proporção, registrados em mobilizações anteriores.

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Os atos reuniram estudantes do ensino médio e universitários, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos. Além das críticas à alta dos preços dos combustíveis e às dificuldades financeiras das famílias, os manifestantes reivindicam melhores condições de ensino, denunciam a desigualdade social e questionam a atuação do governo do presidente Emmanuel Macron.

Segundo o Ministério do Interior, a participação foi menor do que nas duas mobilizações anteriores. Na semana passada, 410 mil pessoas foram às ruas, sendo 110 mil em Paris. Em 17 de outubro, o total chegou a 550 mil manifestantes. Na tentativa de evitar novos episódios de violência, as autoridades mobilizaram 70 mil policiais e militares e realizaram operações preventivas em rodovias, estações ferroviárias e centros urbanos. Em Mulhouse, no leste do país, foram apreendidos 175 artefatos pirotécnicos.

A onda de manifestações ganhou força no fim de setembro, quando o governo minoritário de Macron iniciou as negociações sobre o orçamento de 2027. O movimento começou com estudantes que denunciavam a superlotação das salas de aula, a deterioração das condições nas escolas e o sistema de admissão nas universidades, considerado injusto por parte dos jovens.

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Posteriormente, sindicatos e integrantes dos Coletes Amarelos aderiram à mobilização. O movimento ganhou projeção nacional em 2018, com protestos contra o aumento dos combustíveis e o custo de vida.

As promessas do governo de reformar a educação e reduzir os gastos com combustível não foram suficientes para conter a insatisfação. Parte dos manifestantes também passou a denunciar restrições ao direito de protestar e exigir maior proteção às liberdades civis após a resposta policial às mobilizações anteriores.

Os protestos franceses também inspiraram manifestações lideradas por jovens da chamada Geração Z em outros países europeus. Neste sábado, foram registrados atos em diferentes cidades da Alemanha e da Itália.

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