Caribe exige reparações do Reino Unido pelo tráfico de escravizados


Primeiro-ministro britânico admite possibilidade de pedido formal de desculpas, mas descarta indenizações financeiras; reivindicação será discutida em reunião da Commonwealth.

A Comunidade do Caribe (Caricom) pretende voltar a cobrar do Reino Unido reparações históricas por seu papel no tráfico transatlântico de escravizados. A reivindicação será apresentada durante a reunião de chefes de governo da Commonwealth, entre 1º e 4 de novembro, em Antígua e Barbuda.

O presidente da Caricom, Philip Pierre, afirmou que a responsabilidade histórica do Estado britânico não desaparece com a passagem das gerações. Segundo ele, a justiça reparatória não trata da culpa individual dos cidadãos atuais, mas da responsabilidade dos Estados e das instituições envolvidas nos crimes históricos.

A iniciativa ocorre após declarações do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que admitiu a possibilidade de um pedido formal de desculpas pelo envolvimento do país no comércio transatlântico de escravizados, mas descartou o pagamento de indenizações financeiras.

Em artigo publicado no jornal The Guardian neste sábado (31), Burnham defendeu o reconhecimento da história colonial britânica como forma de fortalecer as relações entre os 56 países integrantes da Commonwealth, associação de nações independentes formada a partir do antigo Império Britânico.

O premiê afirmou que pretende iniciar um diálogo estruturado com os países afetados e ouvir as reivindicações por um pedido formal de desculpas. No entanto, argumentou que os britânicos atuais não podem ser responsabilizados individualmente por crimes cometidos em períodos históricos anteriores.

Em vez de indenizações, Burnham propôs discutir alternativas para enfrentar desafios econômicos dos países em desenvolvimento, incluindo o endividamento elevado. Para isso, afirmou que pretende trabalhar com outras nações ricas e investidores para ampliar prazos de pagamento e reduzir juros das dívidas.

A discussão também ocorre durante uma viagem do rei Charles III pelo Caribe. Na terça-feira, nas Bahamas, o monarca reconheceu o sofrimento e as injustiças provocados pela escravidão, mas não apresentou um pedido formal de desculpas. No sistema constitucional britânico, o rei representa o Estado, mas a política externa e as decisões governamentais cabem ao governo eleito.

O Reino Unido tradicionalmente destaca seu papel na proibição do tráfico de escravizados, em 1807, e na abolição da escravidão em seu império, em 1833. Burnham, porém, afirmou que o país também precisa reconhecer sua participação no comércio de vidas humanas e os efeitos duradouros desse passado.

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