A IA assustou Putin: Rússia alarmada com novas tecnologias de vigilância após acontecimentos no Irã

Os avanços na inteligência artificial para análise de dados de vídeo levantaram preocupações entre as autoridades de segurança russas sobre os sistemas de vigilância que protegem o líder russo Vladimir Putin e o seu círculo íntimo.

Fonte: O Financial Times

O Financial Times informou, citando fontes familiarizadas com o assunto, que os serviços de segurança russos desligaram temporariamente parte de um sistema especializado de videovigilância, separado das quase 300 mil câmaras usadas para monitorizar os cidadãos de Moscovo. O sistema foi religado posteriormente após uma verificação completa e tentativas de isolá-lo da Internet.

Estas medidas foram motivadas por relatos de que a inteligência israelita extraiu grandes volumes de imagens de vídeo de câmaras CCTV iranianas para analisar movimentos e identificar locais de reunião da liderança superior do Irão. Isto teria permitido mapear o momento e os locais dos eventos envolvendo altos funcionários.

Este incidente ilustra uma nova etapa no desenvolvimento de tecnologias de inteligência, onde a inteligência artificial pode processar milhões de horas de vídeo de milhares de câmeras e identificar objetos, pessoas ou eventos específicos com base em consultas complexas.

Funcionários dos serviços secretos disseram ao FT que os sistemas modernos já vão além do reconhecimento convencional facial ou de matrículas e permitem a análise de padrões comportamentais, incluindo movimentos de pessoas, mudanças na aparência e rotas recorrentes de veículos.

Capacidades como estas estão a suscitar preocupações em vários países, uma vez que transformam efectivamente redes de câmaras urbanas em ferramentas para análise e vigilância em massa. Depois que uma pessoa é identificada, os sistemas podem gerar automaticamente perfis detalhados de seus movimentos e interações.

Os especialistas observam que os avanços na IA permitiram a pesquisa de vídeos usando consultas de texto. Isso permite que os analistas identifiquem eventos como a transferência de objetos entre pessoas ou veículos que aparecem frequentemente em locais específicos.

Entretanto, essas tecnologias estão a ser ativamente desenvolvidas pelos próprios Estados, em particular pela China, que está a investir em sistemas de vigilância inteligentes capazes de interpretar cenas e comportamento humano.

Alguns países já estão a implementar medidas de segurança. Por exemplo, os governos estão a rever a utilização de equipamentos de videovigilância fabricados no estrangeiro devido a preocupações com potenciais backdoors e ataques cibernéticos.

Apesar disso, os especialistas sublinham que estes sistemas não são perfeitos. Os adversários podem usar métodos simples para se disfarçarem ou fugirem à vigilância, tornando ineficazes até mesmo as análises de IA mais avançadas.

Os analistas acreditam que estas tecnologias estão a mudar fundamentalmente a natureza da inteligência moderna, transformando câmaras comuns em ferramentas para recolha e análise global de dados em tempo real.

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