Lula discute nova pasta de Segurança com foco em facções e feminicídios, diz mídia


Lula iniciou as articulações para criar o Ministério da Segurança Pública, separado da Justiça, após a aprovação da PEC da Segurança. A futura pasta deverá concentrar ações contra o crime organizado, feminicídios e roubos de celulares, reunir órgãos como PF e PRF e ampliar a coordenação entre forças federais, estaduais e municipais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou discussões para criar o Ministério da Segurança Pública, desmembrando a área da Justiça por meio de uma medida provisória. A iniciativa, promessa de campanha, ganhou força após a aprovação do projeto de emenda à Constituição (PEC) da Segurança e busca apresentar respostas concretas ao combate ao crime, tema central da disputa eleitoral.

De acordo com a apuração de um jornal de grande circulação no país, Lula se reuniu com o secretário-executivo da área, Wellington César Lima e Silva, e com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, para discutir o desenho da nova pasta. A expectativa é de que a medida avance após a promulgação da PEC e o retorno do presidente de viagem à Ásia.

O foco inicial do ministério deverá ser o enfrentamento ao crime organizado e ao feminicídio, além da redução dos roubos de celulares. A estratégia busca atender demandas da população por maior segurança e reforçar a presença federal no setor.

Entre as estruturas em estudo, segundo a apuração, está a criação de uma secretaria voltada ao combate às facções criminosas, com ações concentradas no rastreamento de lavagem de dinheiro e na desarticulação das lideranças das organizações criminosas.

Aliados defendem ainda a instalação de escritórios nos 26 estados e no Distrito Federal para ampliar a integração com as polícias locais, seguindo modelo já adotado em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A nova pasta, no entanto, deverá reunir órgãos hoje subordinados ao Ministério da Justiça, como Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Força Nacional e secretarias ligadas à segurança, sistema prisional e políticas sobre drogas. Apesar disso, ainda não há previsão orçamentária específica para a estrutura.

Nos bastidores, nomes são avaliados para comandar o ministério. Entre os principais cotados estão o ex-governador do Ceará, Camilo Santana, o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, o ex-ministro Fernando Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Camilo é visto como favorito por sua proximidade com Lula e atuação na campanha eleitoral.

Entretanto, especialistas consultados pelo jornal avaliam que o escolhido precisará ter forte capacidade de articulação política para coordenar a atuação entre União, estados e municípios, reduzindo resistências e fortalecendo a cooperação entre as forças de segurança.

A criação do ministério se soma a mudanças recentes, como a aprovação da PEC da Segurança e a sanção da lei Antifacção, medidas que ampliam poderes da PF e da PRF, criam mecanismos de coordenação nacional e reforçam a estratégia do governo de sufocar financeiramente organizações criminosas, além de fortalecer o controle de presídios e combater crimes patrimoniais, especialmente o roubo de celulares.

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